Nossa história e nosso fazer

apresentacao

“Construir relações justas e igualitárias entre mulheres e homens no NoRdeste” tem sido a missão do MMTR-NE nas últimas três décadas. Esse desafio tem trazido muito aprendizado, desde enfrentar a forma como o patriarcado se organiza: tirar as mulheres do espaço de casa e do roçado para a militância; enfrentar os vários tipos de violência; lutar por políticas públicas e o desafio do acesso; produzir de forma sustentável e solidária; organizar a base e organizar toda a nossa luta à convivência com as diversas regiões e à organização da classe trabalhadora por um projeto político das/os trabalhadoras/es com equidade de gênero. Assumindo o lugar de sujeito no processo educativo e construindo metodologias próprias, as mulheres avançam na produção e reprodução de conhecimentos.

Para nós, a auto-organização das mulheres é um dos princípios do feminismo popular e uma ferramenta fundamental para garantir o protagonismo das mulheres, trazer a força de sua agenda política e enfrentar as desigualdades sociais. E o desafio de avançar no processo de auto-organização no meio rural é especialmente difícil, pois as mulheres vivem sob as marcas de relações patriarcais, que determinam que os homens devem decidir sobre a vida, a renda e os desejos da família. Por isso se faz urgente pauta a divisão justa do trabalho em todos os espaços.

As mulheres rurais têm uma árdua jornada de trabalho. Levantam cedo para poder dar conta de todas as tarefas de cuidado com as crianças, as idosas e os idosos, alémdo serviço doméstico, o trabalho na roça e nos quintais. São as últimas a ir dormir. E são também invisibilizadas em suas vozes e na importância de seu trabalho para a sociedade. No Brasil, em 2010, a contribuição monetária das residentes em áreas rurais, no rendimento familiar total, foi ligeiramente maior que a dos homens no rendimento familiar. E as mulheres também têm assumido, cada vez mais, a responsabilidade pelo grupo familiar. Nas áreas rurais, a chefia familiar feminina aumentou, passando de 14,6% para 17,7% entre 2006 e 2010 (IBGE/PNAD, 2006 e IBGE/Censo, 2010).

Essa sobrecarga de tarefas é um dos principais impedimentos à participação política das mulheres. O Nordeste rural tem a tradição de uma forte educação machista, que reproduz a ideia de que as mulheres devem se limitar ao espaço privado e que os espaços coletivos de organização e decisão são destinados aos homens. Mesmo quando estão dispostas a enfrentar todas essas discriminações, ainda assim as mulheres se veem enredadas pelas demandas domésticas e de cuidados e têm muita dificuldade para conseguir sair de casa e se reunir com outras mulheres.

Dentro desse contexto, consideramos que nossa experiência enquanto mulheres trabalhadoras rurais organizadas no MMTR-NE é profundamente transformadora e corajosa. Nos últimos 30 anos, foram muitas as histórias de luta, ousadia, criatividade e resistência das mulheres. A partir de nossa diversidade de identidades e territórios, nós estamos amadurecendo a agenda política feminista rural e fortalecendo as mulheres de toda a Região Nordeste. As nossas experiências e propostas são reais – e um exemplo para a sociedade de que é possível pensar um desenvolvimento com democracia, justiça, autonomia, igualdade e liberdade.